Já era tarde. Madrugada, quando sem querer começaram a escorrer lágrimas pelo meu rosto. Conforme foi, aquelas lágrimas se tornaram cada vez mais fortes em mim e a necessidade de botá-las para fora era maior que tudo. Não conseguia me controlar. Sem mais nem menos eu estava lá, chorando igual à uma criança. Sem saber o porquê, não era birra.
Foi como se toda minha humanidade tivesse ultrapassado alguma barreira e para se tornar mais forte ou maior, ela precisasse pular de um penhasco. E a dor? Foi eu quem senti, e ela só assistia.
Passaram-se cinco minutos e elas foram se acalmando, mas depois de uma pequena respirada, elas saíram em direção a dor outra vez. Novamente e ainda mais forte. É uma coisa muito louca, você está lá chorando incontrolavelmente e nem sabe o porque. Você sente uma dor, mas não entende que dor é essa.
Sabe aquele momento em que corremos perigo e mil coisas vêem à cabeça, passados esquecidos voltam, sentimentos indefinidos nos complicam e só queremos uma coisa, uma resposta. Tudo que fazemos então depois disso, é tentar entender o que na real era aquilo, mais tudo se complica pelo simples fato de que já não estamos mais sentindo aquilo, então, é como se focemos tentar sentir algo que não conhecemos. Não mais.
Essa pequena mania de achar que podemos controlar aquilo que sentimos são simplesmente ilusões, e se ainda teima em acreditar nisso, vem a dor e te prova todo o contrário. Quando temos alguma dúvida sem resposta é tão ruim. Talvez eu possa ir dormir e chegar à uma pequena conclusão, mas e dai se acho que não é possível.
Em meio tantos pensamentos teve um que me chamou a atenção. O que mais me chamou. Era algo do tipo que dizia, "você precisa entender que irá sentir, poderá ser dolorido, mas será inevitável". Eu admito que senti (posso estar sentindo ainda) um pouco de medo disso tudo. Logo eu, que não quero me importar e nem me preocupar com ninguém, menos ainda, me apaixonar. Não foi resposta alguma e sim, indireta diretamente à mim. Será que é preciso eu refletir horas e horas nisso e depois talvez obter a resposta, ou posso estar correndo o risco de me machucar antecipadamente para depois, sofrer tudo novamente. Outra vez.
Passar o dia ou talvez horas em um lugar com duas pessoas que te lembram exatamente duas pessoas que você não gostaria de pensar naqueles momentos é tão, inevitável e dolorido. O que é isso afinal? O passado e o presente querendo brigar?
Possa caber à mim a opção da escolha, aquela que encaro tudo de frente e tento entender toda a resposta que está querendo me passar, correndo o risco de ser feliz, ou, aquela em que decido achar que tudo é uma grande bobeira e que é melhor deixar passar sem ao menos eu poder aprender algo de novo.
E se depois acontecer tudo novamente? Sei lá, dos meus sentimentos só sei de uma coisa à qual tenho certeza, quero que eles sejam LIVRES, livres de qualquer dor que se refira à uma nova paixão. Desligo?

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