terça-feira, 29 de abril de 2014

E você se aproximou, dessa maneira



A gente não repara, não imagina, não se prepara. As coisas acontecem tão naturalmente e passam sem que percebamos. Logo cedo uma multidão de carros, o sol mal havia nascido e as luzes vermelhas entre eles se refletiam. Eu estava indo em direção ao metrô com meu livro na mão e os fones de ouvido ligado. Meus pensamentos estavam longe, me fazendo ir a um lugar desconhecido, onde eu não poderia saber aonde me levaria. Era um caminho sem fim. Sem localização.
Sem querer eu esbarrei em um rapaz, e isso fez com que meu livro (e o dele) caísse brutalmente no chão, e claro,  fazendo com que os meus fones ficassem soltos entre meu rosto e o, chão. Ele me pedia repetidamente desculpas e eu estava sem entender oque estava acontecendo, como se tudo estivesse em câmera lenta. Abaixamos juntos para pegar os livros. Quando menos percebi ele já estava bem longe. Aquele rosto por um acaso não me parecia estranho, nem normal. 
Já estava sentada quando decidi abrir o meu livro do Nicholas Sparks, À Primeira Vista. Eu estava na metade e por isso havia decidido colocar um marcador de página que ganhei no natal da minha madrinha. Ele era todo enfeitado, mas por um minuto quando abri o livro o estranhei, havia um marcador um pouco antes das últimas páginas e ele era vermelho e amarelo. Eu não tinha nenhum marcador igual aquele, não que eu me lembre. "Felicidades meu querido sobrinho, espero que sua viagem e seus novos caminhos te encham de conhecimentos. Vou sentir a sua falta, um grande beijo da tia Lurdinha". Era isso que estava escrito atrás do tal marcador e minha ficha acabou caindo, o garoto não poderia estar lendo o mesmo livro que o meu, e sem querer ter pego o MEU livro! Eu não sabia até que momento aquilo podeira ser bom ou ruim. Comecei a folhear páginas por páginas a procura de alguma pista de quem era aquele menino, será que eu poderia encontrar algum telefone, nome ou até mesmo um e-mail? Naquele momento na verdade, qualquer coisa me serviria. Comecei a achar que era coisa do destino, talvez eu devesse conhecer aquele garoto direito, essas coisas não acontecem todos os dias em uma cidade tão grande e com milhares de livros que existem.
Eu acabei achando, lá estava escrito "Em caso de perda deste livro, por favor ligar no número 9*9999*9999, agradeço desde já!". Então me diga, quem em uma cidade tão grande como essa acharia que se caso perdesse um livro a pessoa que achasse, iria ligar correndo dizendo - Oi Chico, achei o seu livro e eu queria te devolver, você pode morar longe mas eu levo ai pra ti sem problema algum. - Tá ok, não o fariam. Mas eu poderia fazer, até porque ele estava com o meu livro e assim, destrocaríamos os livros e cada um iria para o seu canto. Em baixo havia uma assinatura com o nome de "Gabriel". 
Achando melhor eu então peguei o celular e comecei a discar, e do outro lado da linha provavelmente já estava chamando.
- Alô?
- Alô? Gabriel?
- Sou eu sim, em que posso ajudar?
- É, que... é que... - Meu coração disparou.
PI, PI, PI, PI... Eu desliguei o celular. Não me pergunte o porque e se eu sou doida, mas eu não poderia continuar, eu não iria conseguir.

Nenhum comentário:

Postar um comentário